Statement

Minha relação com as artes visuais nasceu em referência ao irmão e artista Enéas Silva (1948/1997) quando me propus a  pintar cena retratada em um dos seus quadros, cuja releitura se deu de forma própria e espontânea, numa forma de expressão naif, que até então me era desconhecida. As lembranças do tempo de criança em que o acompanhava na lida com o barro, me levou ao processo de modelagem de figuras escultóricas com argila natural, sem ir a queima. Depois fiz estudos do corpo humano, desenvolvi novas técnicas de modelagem e adquiri um forno elétrico para queima em terracota e esmaltação, cujo processo é objeto de estudo permanente devido sua complexidade.

Me atrai experimentar materiais diversos, quase sempre de forma autodidata, e a possibilidade de fazer com as mãos me motiva a praticar experimentos a partir de observação e percepção das coisas que envolvem o meu pequeno universo como as plantas, os bichos e as pessoas. Atualmente me dedico a cerâmica e a pintura, retratando elementos da natureza e cenários de cotidianos rurais e urbanos, referenciando as culturas tradicionais, as religiosidades e as questões sociais e ambientais do nosso pais e do mundo. 

O meu processo de criação nasce de um olhar, um sentimento ou de um pensamento crítico acerca de um fato que considero importante e representativo. Ele pode brotar do barro ou de um risco numa tela, onde vai ganhando forma e se concretizando com o preenchimento dos espaços com muitos detalhes, de forma lúdica. A motivação do meu trabalho é o desafio de conseguir expressar, passando a mensagem ao expectador, provocando um certo encantamento, admiração e indagação acerca da minha afirmação.

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